Valorizar os que nos precederam é, no mínimo, respeitar a construção de nossa história. Seguindo o que disseram Isaac Newton — “Se eu vi mais longe foi por estar de pé sobre ombros de gigantes” — e a astrofísica italiana Margherita Hack , “O conhecimento continua a avançar porque podemos basear-nos no trabalho dos grandes gênios que nos precederam”, criei neste espaço, já se vão alguns meses, uma série dedicada a estas pessoas: OMBROS DA CIÊNCIA BRASILEIRA
Nela você já pode encontrar um pouco de grandes ombros brasileiros , como Carlos Gomes, Anísio Teixeira, Tobias Barreto, Vital Brazil e Cesar Lattes.
Agora conheça Graziela Maciel Barroso :

A PRIMEIRA DAMA DA BOTÂNICA
Graziela Maciel Barroso é uma referência na área de sistemática de plantas, um ramo da botânica dedicado a descobrir, descrever e interpretar os diversos tipos de vegetais.
Chamada de “primeira grande dama” da botânica brasileira, em sua homenagem cerca de 25 espécies vegetais identificadas nos últimos anos foram batizadas com seu nome, como Dorstenia grazielae(caiapiá-da-graziela), da família das moráceas (a da figueira); Diatenopteryx grazielae (maria-preta), uma sapindácea; e Baubinia grazielae, conhecida como pata-de-vaca. Responsável pela catalogação de vegetais das diferentes regiões do Brasil foi responsável pela formação de gerações de biólogos.
Teve uma trajetória acadêmica inusitada. Aos 30 anos começou a trabalhar no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, ingressando no curso de biologia da Universidade do Estado da Guanabara aos 47 anos e defendendo tese de doutorado aos 60.
A cientista também escreveu dois livros adotados como referência por cursos de botânica: “Sistemática de angiospermos do Brasil, em 3 volumes, e Frutos e sementes – morfologia aplicada à sistemática de dicotiledôneas”.
Como professora, Dra. Graziela atuou em Universidades como as Federais do Rio de Janeiro e de Pernambuco (UFRJ e UFPE), na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e na Universidade de Brasília (UnB). Também foi a única brasileira a receber, nos Estados Unidos, a medalha Millenium Botany Award, entregue a botânicos dedicados à formação de pessoal na área.
Nascida em Corumbá, Mato Grosso do Sul, em 1912, morreu em 2003 no Rio de Janeiro, um mês antes de ser empossada na Academia Brasileira de Ciências.
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