Cada vez mais, as empresas precisam se adaptar a um mundo em que as mudanças não se dão de forma linear, mas descontínua. Neste novo cenário, os mercados e as tecnologias mudam por meio de saltos abruptos.
Novos concorrentes surgem; tecnologias despontam e põem subitamente em xeque modelos consagrados de negócio.
Na indústria farmacêutica, a GSK costumava ter como concorrentes diretos Merck, Novartis e Pfizer. Hoje a lista de rivais cresceu: companhias de biotecnologia produzem compostos para medicamentos.

A Lego concorria com Mattel e Hasbro. Viu-se obrigada a entrar na arena da diversão digital e a enfrentar também os gigantes dos games, como Sony, Nintendo e Electronic Arts.
Neste novo cenário, é necessário que as empresas estejam preparadas para a inovação descontínua, fazendo crescer a capacidade de implementação de novas tecnologias, produtos ou modelos de negócio. O professor Julian Birkinshaw, da London Business School, aconselha que, frente a tantos desafios, as companhias busquem parcerias e formem redes para a troca de informações com suas congêneres.No novo mundo do conhecimento, ninguém mais pode ser uma ilha.
Empresas precisam criar parcerias para
buscar as soluções de seus problemas
A própria London Business School deu um passo nessa direção. Birkinshaw, aliado ao professor Gary Hamel, criou um laboratório de investigação de práticas originais de gestão, o Management Innovation Lab. Dele não farão parte apenas os acadêmicos. Grandes grupos europeus já demonstraram interesse pelo laboratório, como o financeiro UBS. Em trabalho publicado na California Management Review, Birkinshaw mostrou como P&G, BBC, 3M e RioTinto, entre outras empresas, criaram “networks” para buscar as soluções de seus problemas.
Uma das formas de rede encontradas pelo professor é aquela cujo intuito é o desenvolvimento de novas idéias ou soluções técnicas. Nesta “network de idéias”, destacam-se programas como o Connect and Develop (Conectar e Desenvolver) da Procter & Gamble, nascido depois que o presidente A.G. Lafley estabeleceu o objetivo de que 50% da inovação da P&G deveria vir de fora da empresa.
Já a britânica BBC deu-se conta, em 2000, que o seu modelo de produção e divulgação de conteúdo de mídia estaria ultrapassado em uma década. Inspirada na comunidade que desenvolveu o sistema aberto Linux, convidou arquitetos de software e produtores de conteúdo para se juntarem ao Projeto Backstage, que tem como objetivo criar um modelo de mídia baseado na internet. Também em 2000, o grupo de mineração Rio Tinto contatou organizações não-governamentais para financiar estudos sobre a exploração sustentável de minerais. A companhia ganhou credibilidade, aproximando-se de grupos de interesse que tradicionalmente se mantinham afastados da mineradora.
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