Chegando ao quarto ano de atuação, o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa – CONFAP – congrega Fundações de Amparo à Pesquisa de vinte e dois estados mais o Distrito Federal. Os orçamentos vêm dos Estados e as Fundações se encarregam de fomentar a pesquisa.Articuladas , elas tem conseguido avanços e resultados expressivos no incentivo à política de ciência, tecnologia e inovação, que incidem sobre o desenvolvimento das pesquisas brasileiras.
Em entrevista ao Portal da ANDIFES, Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior, Mario Neto Borges, atual presidente do CONFAP, falou sobre a atuação das Fundações no apoio às pesquisas, sobre como elas funcionam e sobre a importância da articulação alcançada .
Transcrevo algumas passagens da entrevista(*) que mais me chamaram a atenção :
Ao realizar investimentos em ciência, tecnologia e inovação, as Fundações contribuem para a diminuição da dependência tecnológica, o fortalecimento da economia e a melhoria da qualidade de vida da população(…) Os investimentos maciços e perenes em educação, ciência, tecnologia e inovação são capazes de gerar riqueza e oportunidades para as nações.
De forma geral, podemos dizer que o Brasil vai bem na produção de conhecimento científico, mas ainda engatinha na área da inovação tecnológica. É preciso mudar esse quadro, e isso depende de mais investimentos e de um arcabouço legal favorável. (grifo nosso) (…) . O sucesso de um estado ou país só acontece plenamente quando estas forças atuam em conjunto.
Pedindo permissão ao Sr. Mario Neto Borges, terei de discordar da passagem grifada :
A mudança do quadro da inovação brasileira “… depende de mais investimentos e de um arcabouço legal favorável. ” . NÃO !
1. Leis no Brasil existem a se “levar com rodo” , típico no nosso País: Lei do Bem, Lei de Inovação, Lei de Informática, Empreendedor Individual, Leis concedendo Isenções Tributárias – para as Fundações e Entidades privadas de pesquisa sem fins lucrativos – e etc. ;
2. Investimentos existem, mesmo que abaixo do percentual do PIB em comparação com outros países.
Falta-nos cultura voltada à Inovação no cérebro do ambiente acadêmico :
1. As instituições de ensino elevam os olhos para a produção científica , papers, artigos indexados em grandes períodicos , enquanto verbas não são totalmente utilizadas quando o assunto é Edital voltado à Inovação, ou em articulação com empresas do setor produtivo .As incubadoras de empresas , neste papel, são muito mais eficientes por possuir uma cultura diferencidada.
2. Com raríssimas exceções, os Núcleos de Inovação Tecnológica, NIT´s, citados na Lei de Inovação, têm demonstrado resultados pífios no Brasil . Enquanto principais articuladores entre a academia e o mercado, não passam do papel e entendem que a Inovação está baseada apenas no aspecto da Propriedade Intelectual, Patentes: um tenebroso engano. O depósito de uma patente, em si, não garante a Inovação , chegando às vezes até a retardá-la.
3. A inovação passa por aspectos outros que dependem intrisicamente de uma metodologia voltada à mudança da ordem cultural vigente : pessoas,indicadores/métricas unificados ( já que cada instituição entende a inovação de maneira distinta ),prospecção,colaboração inter e extra-institucional ( Open Innovation), mudanças nos métodos de ensino e etc.
Não nos faltam leis, investimentos e brasileiros competentes: FALTA CULTURA
(*) A entrevista em sua íntegra, realizada pela jornalista Ana Paula Vieira, pode ser lida no link Inovação e CONFAP
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