Pesquisadores brasileiros desenvolveram um aparelho portátil para diagnosticar anemia: o hemoglobinômetro
O projeto, fruto de uma parceria público-privada, poderá ajudar no combate à doença nutricional mais comum do mundo: a anemia causada por falta de ferro, conhecida como anemia ferropriva.
Pelas estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), a deficiência atinge 25% da população mundial e, nos países em desenvolvimento, 50% das crianças com idade inferior a quatro anos.
Basta uma picada no dedo para realizar o exame. Depois de o conteúdo líquido estar homogêneo, a ampola é encaixada em um espaço apropriado no equipamento. A leitura é feita por um fotômetro, composto por um diodo emissor de luz, ou LED (da sigla em inglês light emitting diode), na cor verde – comprimento de onda que a molécula de hemoglobina absorve – e de um detector de luz do outro lado.
“O feixe de luz mede a fração de energia luminosa absorvida pela amostra”, explica Paulo Alberto Paes Gomes, físico de formação e coordenador do projeto apoiado pela FAPESP por meio do Programa Pesquisa Inovativa na Pequena e Micro Empresa (Pipe). Pela quantidade de luz que é absorvida é possível dosar a quantidade de hemoglobina na amostra. Basta apertar um botão que o resultado aparece em um mostrador. A leitura dos padrões de hemoglobina, que correspondem a valores normais ou baixos, é feita por um chip previamente programado.
Nos testes do aparelho, os pesquisadores contaram com a ajuda do médico Mário Maia Bracco, do Centro Assistencial Cruz de Malta, que atende a população carente na zona sul de São Paulo.
Mais de cem crianças de 4 a 6 anos, no Jabaquara, foram avaliadas. O resultado, então, foi comparado com outros métodos de diagnóstico.
Além de validar o aparelho, os agentes de saúde descobriram uma alta prevalência de anemia: pouco mais de 20%. Com o apoio da prefeitura de Ilhabela, litoral norte paulista, e da pediatra Juliana Teixeira Costa, os pesquisadores também avaliaram 670 crianças na cidade. Cerca de 18% apresentavam anemia. As famílias receberam orientações para melhorar a dieta dos filhos. Depois de 45 e 90 dias, o exame foi realizado novamente. A prevalência caiu para 5%.
Adoção pelo SUS
A equipe recebeu um financiamento de R$ 178 mil para testar a viabilidade de incorporação do equipamento ao Sistema Único de Saúde (SUS). Com o dinheiro, realizaram-se exames em Santa Luzia do Itanhi, no Estado de Sergipe, e em comunidades ribeirinhas do Rio Amazonas.
“Testamos o equipamento em diversos cenários”, afirma Jair Chagas, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), um dos responsáveis pela invenção do dispositivo.
O equipamento ainda depende de registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Segundo a agência, o processo está “aguardando análise” e não é possível fazer previsões de quando o registro será concedido. No mês passado, Chagas descobriu que já pode pedir a patente internacional, pois foi reconhecida a originalidade do método de medição.
Existe um aparelho similar chamado Hemocue, produzido por uma empresa sueca. Cada ampola com reagente para realização de um exame custa, em média, R$ 5,30. “Mesmo em pequena escala, conseguiríamos fazer no Brasil por R$ 1,50″, afirma Chagas. O equipamento brasileiro custaria R$ 2 mil. O importado sai por volta de R$ 3 mil, 50% mais caro, portanto.
Desdobramento
De início, os inventores Chagas, Paulo Alberto Paes Gomes e Maurício Marques de Oliveira – que se conheceram na Universidade de Mogi das Cruzes – pretendiam construir um equipamento para determinar a concentração no sangue da enzima conversora de angiotensina, importante para o controle da hipertensão. A ideia inicial foi ampliada para outros parâmetros: sódio, potássio, glicose e colesterol. Por fim, concentraram-se no protótipo para medição de hemoglobina. Já há um protótipo pronto para medir glicohemoglobina, importante para o controle de diabete.
Chagas aponta que, com o aparelho, seria possível realizar campanhas em grande escala contra anemia. “Uma mãe não precisaria ir três ou quatro vezes ao posto de saúde para conseguir o resultado do exame”, afirma o pesquisador. “Sairia na hora junto com a especificação do tratamento.”
Financiamento
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) contribuiu com R$ 520 mil, principalmente por meio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe), que apoia projetos desenvolvidos por cientistas ligados a microempresas.
Contato com o Coordenador da Pesquisa :
Paulo Alberto Paes Gomes
Exa-M Instrumentação do Nordeste, Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento.
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CEPED
42700-000 – Camacari, BA – Brasil
Telefone: (71) 3634-7366
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FONTE : Jornal Cruzeiro do Sul
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Na decisão do CNPq foi levada em conta a importância que a área tecnológica e de inovação representa na atual política governamental de incrementar o sistema de C,T&I. 












