Fonte : Agência Lusa

Fonte : Wikimedia Commons
É preciso criar condições de estabilidade de emprego na pesquisa científica para aumentar a participação da mulher , defende Margarida Cunha, do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto.
“O mais importante é criar condições para que elas não abandonem a ciência”, disse à Agência Lusa, ao destacar que o número de mulheres na astronomia tem aumentado significativamente. “Quando comecei a fazer investigação em astronomia, em 1995, era pequena a fração de mulheres. Hoje ainda não é comparada aos homens, mas é muito superior do que havia no passado“, considerou.
A astrônoma portuguesa está no Rio de Janeiro para participar da 27ª Assembleia Geral da União Astronômica Internacional (IAU, em inglês), que acontece até o próximo dia 14. O evento é considerado o maior da astronomia mundial e o primeiro realizado no Brasil, que reúne mais de 2.000 especialistas de 72 países.
Margarida Cunha, que estuda astrofísica estelar e a oscilação de brilho entre as estrelas, coordenou uma das principais mesas dos eventos e, ao longo desta semana, deu palestras e fez parte de um grupo de trabalho da União Astronômica Internacional.
A astrônoma portuguesa defende a “igualdade na qualidade científica“. O fato de haver mulheres presentes em painéis e conferências indica que elas são “cientificamente competentes”. É uma “evolução natural” haver mais mulheres nesta área da ciência, considerou. “Infelizmente há uma história da ausência da mulher”, ressaltou.
Citou ainda a necessidade de haver uma “discriminação positiva” para atingir uma paridade de homens e mulheres. A astrônoma explicou que o maior número de mulheres atuantes não significa que elas estejam qualificadas, e isto pode ser “contraproducente”. A questão da estabilidade no ramo da investigação científica é um grande fator que afasta muitas mulheres da ciência.
“O numero é relativamente grande de mulheres que iniciam a carreira na ciência, mas diminui drasticamente com o tempo”, disse. É ”complicado” conciliar família e pesquisa científica. “Na maior parte das culturas, é mais fácil para os homens permanecerem no meio da pesquisa e, devido a uma situação familiar, elas acabam por abandonar a profissão. É mais complicado no plano cultural, é um processo lento”, concluiu.
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