
Militares seguram caixa-preta de dados do Boeing 737-800 do acidente do Vôo da Gol . Foto: Agência Brasil
Para início de explicação, o verbo da pergunta da nossa SÉRIE QUERO SABER deve ser colocado no plural. Na verdade não pode ser o que “é” caixa preta. Mas, o que são caixas-pretas. Isso mesmo ! São duas e de preta a caixa só tem o nome. A caixa-preta é, na verdade, laranja. E tem duas tiras que refletem a luz. Assim fica mais fácil encontrá-la no mar, em florestas ou em meio aos destroços do avião.
A primeira caixa-preta foi idealizada por Adolf Hitler após a morte de seu amigo e ministro Fritz Todt, num acidente aéreo, em fevereiro de 1942.
Desde então, todos os aviões importantes da força aérea alemã eram obrigados a ter instalado o dispositivo que gravava magneticamente as conversas dentro do avião.
No entanto, a invenção de seu primeiro protótipo é atribuida ao Dr. David Warren na Austrália em 1953 porque após a derrota alemã na Segunda Guerra o mecanismo ficou esquecido. Foi no final da década de quarenta que se desenvolveu um gravador que utilizava como meio armazenador uma fita de metal, que era muito mais resistente às chamas do que a fita plástica convencional . Desta forma, o equipamento com este tipo de fita se tornou mais apropriado para resistir à um acidente aeronáutico. Atualmente já se usam equipamentos baseados em bancos de chips em invólucro resistente à chamas e impactos com capacidade bem superior.
A caixa-preta é o nome popular de dois sistemas: um de registro de voz e outro de registro dados . O som ambiente das cabines de comando e do sistema de áudio são gravados pelo “Gravador de Voz”, ou CVR (de Cockpit Voice Recorder), e os dados de performance como velocidade, aceleração, altitude e ajustes de potência, entre tantos outros, é gravado em outro equipamento conhecido como “Gravador de Dados”, ou FDR (de Flight Data Recorder).
São, portanto, dois equipamentos distintos e independentes, mas ambos com uma inscrição eletrônica de tempo, que é fundamental para superpor os eventos de voz com os eventos de performance.

CVR
São colocadas normalmente na cauda do avião e feitas de materiais muito resistentes, como aço inoxidável e titânio, capazes de suportar uma aceleração de 33 km/s², um impacto de 3.400G (1G= força de gravidade da Terra), temperaturas de até 1.100°C por uma hora, e pressão aquática em profundidades de até 6.000 m, de forma a permitir que, em caso de acidente , consigam-se recuperar os registros e investigar as causas do mesmo.
A incorporação destes sistemas nos aviões permitiu a melhoria da segurança nas viagens aéreas, já que foi possível assim detectar falhas que anteriormente davam origem a acidentes graves cuja causa não era possível ou muito difícil de determinar.

FDR
O nome caixa-preta surgiu nos anos 50, onde era frequente o acréscimo de novos equipamentos nas aeronaves, e os pilotos costumavam apelidá-los de caixas-pretas (another “black box” installed in our plane – outra caixa preta instalada em nosso avião ?). Simplesmente porque não sabiam que equipamentos eram esses ! E, de fato, os primeiros registradores de voz eram realmente pretos.
Atualmente as caixas-pretas não limitam seu uso a apenas aviões. Já são empregadas em carros, trens e outros veículos . Contudo, como o mesmo objetivo: recuperar os registros e investigar as causas de possíveis acidentes. Possuem custo aproximado entre 10.000 a 20.000 dólares, cada uma.
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