por Irani Cavagnoli em Gestão e Inovação
Segundo Patrick Stähler em artigo (a seguir resumido) intitulado: Dell and Perot: The end of a business model (innovation), a Dell está sofrendo, em seu “core business” (expressão que define o negócio central de uma dada empresa), uma acentuada concorrência nos preços de seus PCs devido a diversos fatores de mercado, dentre os quais podemos resumir:
- Por muitos anos, a Dell foi a líder de preços, mas agora a HP tem praticado preços bem abaixo dos modelos de laptop da Dell.
- Pela primeira vez na história dos PCs, o novo sistema operacional Microsoft Windows 7 terá menos recursos do que a versão anterior, o Windows Vista. Isso é uma má notícia para os fabricantes de computadores, que geralmente esperam um grande impulso nas vendas com um novo sistema operacional.
- A Apple fez um retumbante retorno ao mercado (mais uma grande sacada do gênio Steven Paul Jobs, conhecido por Steve Jobs), com computadores bem concebidos e fáceis de usar.
- Ao mesmo tempo, uma nova categoria de produto entra no mercado, o netbook. Estes são mini notebooks ou subnotebooks, que estão bem adaptados para o trabalhador móvel que procura um companheiro digital.
- No mercado, o PC tornou-se cada vez mais uma “commodity”, onde o componente de serviço é mais importante do que apenas o preço.
Durante o tempo em que se estabeleceu como líder de mercado de PCs, a Dell inovou em seu modelo de negócio, praticando preços altamente competitivos. Completa essa estratégia, outros componentes do seu então modelo de negócios revolucionário.
Durante o tempo em que se estabeleceu como líder de mercado de PCs, a Dell inovou em seu modelo de negócio. A proposição de valor da Dell era vender PCs e servidores, diretamente ao consumidor, configurados individualmente e a um preço baixo.
A Dell tinha, além do seu modelo de vendas diretas, um processo de fabricação que permitia uma produção feita por ordem de produção.Juntamente com seus fornecedores, a Dell aperfeiçoou sua cadeia de fornecimento para a adoção do sistema just-in-time
Por isso, tinha um pequeno estoque de peças e de produtos acabados. Este procedimento permitiu a Dell operar com capital de giro negativo, pois recebia primeiro dos seus clientes e depois pagava seus fornecedores.
Com este especial do modelo de negócios, a Dell transformou-se, durante algum tempo, na maior vendedora de PCs e servidores.
Agora, é n º 2 atrás da Hewlett-Packard. Este fato tem incomodado fortemente Michael Dell (presidente e fundador da Dell). A Dell já foi um negócio inovador, mas agora os outros concorrentes aprenderam a lição e estão tão ou mais eficientes quanto a Dell.
A Dell tem cortado custos em seu negócio principal, mas não vai escapar à feroz concorrência no setor, a menos que encontre nova maneira de se diferenciar de seus concorrentes.
Na busca de um novo posicionamento estratégico, a Dell adquiriu a Perot System por US$3.9 bilhões. A Perot System é um provedor de serviços com uma forte posição na terceirização no setor de saúde.
Na verdade, essa aquisição faz com que a Dell se assemelhe ainda mais a outras grandes empresas do setor. A Dell é apenas uma seguidora.
Ela segue a Hewlett-Packard, que no ano passado comprou a EDS por US$ 13,2 bilhões. Segue também a IBM que mudou totalmente seu modelo de negócios, para ser uma provedora de serviços, depois que vendeu seu negócio de PCs para a Lenovo em 2005.
O que podemos aprender com esse desafio da Dell?
Segundo Patrick Stähler são as seguintes lições a serem apreendidas:
- Modelos de negócio não são eternos. Seus concorrentes vão tentar copiá-lo ou contornar a sua vantagem competitiva com inovações nos seus modelos de negócios. A vantagem competitiva é sempre limitada no tempo.
- Uma vez que o modelo de negócios inovador é o líder em um mercado saturado, seu potencial de crescimento é aproximadamente igual ao crescimento do mercado. Então não pode haver um hiper-crescimento nos negócios para sempre.
- Movimentos estratégicos das empresas, como a aquisição de um novo negócio, não ajudam a rejuvenescer o seu modelo de negócio senil. Mesmo quando você argumentar sob a perspectiva dos acionistas, é mais fácil eles diversificarem a sua carteira de ações, do que uma corporação diferenciar seus negócios.
- A solução para um envelhecido modelo de negócios inovador não é seguir seus concorrentes, uma vez que, agindo dessa forma, você estará navegando em um cruel oceano vermelho. Você acaba criando mais concorrência, quando todo mundo está seguindo a mesma estratégia.
- Em vez de olhar para a diversificação das atuais competências essenciais, você pode aplicá-las no desenvolvimento de novos produtos e serviços que seus clientes atuais valorizam.
A grande questão é saber se a compra da Perot irá contribuir para a mudança do modelo de negócios da Dell.
Grandes lições!
Irani Cavagnoli
Especialista pela PUC/SP e graduado em Administração de Empresas (USP). Atua em sua área de formação desde 1969, tendo ocupado cargos de destaque: foi CEO do SEBRAE/SP de 1989 a 1996, Diretor da Trevisan, Diretor do Grupo Strhal e As Américas e Gerente Financeiro do Grupo Henkel. Atuou como consultor da Confederação Nacional da Industria (CNI), Instituto Euvaldo Lodi (IEL), Federação do Comércio do Estado de São Paulo, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo e ACSP. Paralelamente, desenvolveu sua carreira como docente em Instituições de Ensino Superior em MBA’s da PUC/SP, FAAP, ESPM e Universidade Católica de Brasília.
Atualmente é professor da Faculdade Trevisan e FAAP. Foi Presidente da ABASE – Associação Brasileira dos SEBRAEs Estaduais e Conselheiro do SEBRAE Nacional, SENAC/SP, PUC-SP, CEVAL, ACSP e FIESP. Exerceu o cargo de Vice-Delegado e Diretor de Ensino Superior do Ministério de Educação e Cultura – MEC/SP.
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